Mãe em construção: Não julgue uma mãe

Desde que embarquei nessa história de maternidade, me deparo com milhares de dicas, isso já acontecia mesmo no período da gestação. No começo é gostoso de ouvir, mas depois que o seu bebê nasce fica difícil lidar com tantos julgamento e dicas. Sabe por que isso pesa? Porque essa mãe acabou de nascer junto com esse bebê, sim, ela carrega com um pacote de culpa gigante e um ainda maior de amor. Para a mãe há essas duas polaridades: ela precisa lidar com todos os valores e crenças de um social que construiu e ainda dar conta da emoção desse momento. O corpo que muda e o convívio com o bebê, que não encontra aquele amor infinito logo de cara. Passa um mês e logo chega o segundo, as coisas começaram a se ajustar para algumas mães, se tem uma rede de apoio que não julga.  E quando essa mãe reclama do peso desse amor? Ás vezes ela não encontra de primeira e lá vem o pacote de culpa que está em todas as entre linhas. Culpa por não conseguir dar o peito, ou por conseguir e ainda sim ser difícil, culpa por não entender os choros descontrolados, por dar remédios, por medo de não dar conta e por ai vai, eles só aumentam.

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Quando encontrar essa mãe recém-nascida, acolha, olhe, pergunte como ela se sente, ao invés de julgar. Existem aqueles porquês já são comuns de ouvir:

– Por que não está dando o peito de três em três horas?

– Por que esse bebe mama demais e seu leite é fraco?

– Por que não deu formula ainda?

– Por que você não trocou quando acordou?

– Por que você esqueceu de colocar a mamadeira ou o bico na bolsa?

– Por que esse bebê chora demais?

– Por que essa criança não chupa bico?

– Por que você está muito estressada?

– Por que você não estava preparada para ter esse bebê?

– Por que você não entende que o conhecimento antigo sempre deu certo?

– Por que você precisa dar chá?

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Sabe por que é tão fácil julgar ou não entender o outro? Porque nesses momentos, as pessoas que trazem essas dicas ou sugestões estão vendo a sua própria experiência, elas desejam ajudar, mas esquecem que antes de tudo é preciso olhar para essa mãe. Os tempos mudam, as informações circulam em todos os cantos da vida, e esquecemos do mais primordial: a necessidade de olhar para as pessoas de forma humana. É compreender que esse alguém acabou de passar por um processo intenso e está tentando arduamente lidar com essas transições.

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Acolha essa mãe e diga: sim é difícil! Sabe porque muitas mães se escondem nas suas culpas? Porque morrem de medo de se sentir ainda mais culpadas nos momentos que falam algo do bebê: “Como ele é muito difícil, chora demais e não dorme”.  Ela só está tentando verbalizar uma angústia, é o desejo de ser ouvida e compreendida. Então, se você já é mãe e tem alguém assim, não julgue, e se você nem passou por esse processo, acolha, não julgue. A gente só entende mesmo, quando for passar. Tudo na vida requer experiência da realidade para compreender o sentimento. O que lemos ou ouvimos não chega nem perto do que é viver a experiência do presente.

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