Mãe em construção: Aprendi

Aprendi que precisamos de nove meses para nos encontrar, vivi cada um deles lentamente dentro de mim, para ao final, olhar nos seus olhinhos. Apesar de tudo que imaginei, sem nunca ter visto seu rosto, você veio como pedi intimamente para o nosso Papai do Céu.

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Aprendi que tudo que criei internamente sobre como seria quando você chegasse após esses nove meses, cai por água abaixo. Aprendi que idealizei, criei expectativa, tentava te ver nos meus sonhos, mas sim, foram só idealizações. Quando você chegou, aprendi que só mesmo a realidade descrevia o que era te ter nos meus braços, passava longe daquelas da minha imaginação. Foi então que eu aprendi a parar de idealizar como você tem que ser, só assim fica mais fácil de lidar com a realidade que por vezes dói.

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Aprendi que, por mais doa, essa realidade transforma os nossos dias para algo verdadeiro sobre mim mesma. Aprendi que você trouxe consigo a chave do presente, se não tiver presente com você, não há transformação para nós duas. Aprendi que existe um desafio diário entre equilibrar a minha vida e essa mãe que está sendo construída.  Aprendi que sim, nós estamos misturadas uma na outra, em alguns momentos preciso ver você e em outros ver eu, mas confesso que isso é muito difícil. Afinal, eu aprendi a ter você só para mim por nove meses, e agora?

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Aprendi que precisamos permanecer nessa mistura ainda e quanto mais você se desenvolve mais vamos nos desprendendo uma da outra. Tento compreender que é necessário que ambas cresçamos como indivíduo. Sim, isso é preciso para nos desprendermos e conhecermos nossos mundos. Aprendi que temos tempo, mas não tanto tempo assim, os prazos estão sempre apertados, por isso aprendi a viver nossos momentos como únicos. Registro na memória essas vivências que jamais voltarão. Tenho aprendido a desacelerar para poder nos perceber, porque como todos falam, é só uma fase e vai passar. Isso deve ser feito dia após dia, sem idealizar em como seremos lá no futuro. Afinal, por que pressa se estamos nos construindo hoje?

Para o nosso próprio bem, devemos viver cada dia nos construindo, para assim, nos acharmos em nós mesmas.

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Somente vivendo para saber que mãe serei, e você, que filha será. Aprendi a ver o amor nos detalhes, realidades, nessas formas diversas de amar, nas entrelinhas dos nossos dias. E eu, continuo aprendendo…

Pare de culpar a sua infância ou seu passado por aquilo que você vive hoje

Sempre ouvimos a história de que seu passado lhe condena ou de que seus traumas vêm desde a infância. Dentro da Psicologia existem algumas teorias que explicam o porquê disso. Acredito que é sempre válido compreender esses processos, mas existe uma diferença entre compreender o que houve e utilizar esse fato para se culpar do que você se tornou hoje.

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Normalmente, esses fatos vêm acompanhados de sentimentos como medos, angústias, negligência e traumas que referimos aos nossos cuidadores. Como seria se tivessem agido diferente?  Que pessoa eu teria me tornado se meus cuidadores tivessem feito de outra forma? A partir disso, passamos a viver nesse ciclo de culpa, tanto para nós mesmos quanto para essas pessoas que amamos. Sim, dói não saber como amar uma pessoa que acreditamos que teriam que fazer o certo por nós. Onde foi que nós ou nossos cuidadores se perderam nesse processo de culpa?

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Hoje, construindo e vivendo diariamente o meu papel de mãe, compreendo os “erros dos meus cuidadores”, do meu pai e da minha mãe.  Eles fizeram tudo que podiam e hoje agradeço pelos “erros”. Nossos pais não tinham a informação que temos hoje, não tiveram uma educação de amor e afeto expressivo, o tempo e a evolução deles foram diferentes. Nos deram o que podiam dar, onde o amor reinava de forma diferente.  A luta para dar uma qualidade no estudo, uma comida boa, um passeio, deixar você com o irmão mais velho para poder trabalhar. Qual é o tipo desse amor que você recebeu? Então sim, nos tornamos adultos e temos muita dificuldade de acharmos o nosso eu, definir a nossa identidade. Olhamos para o presente e acabamos no culpando se tivesse sido diferente, e se…. Bom o que dizer!

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Digo que existe uma diferença em como você vai se relacionar com essa culpa. As fotos do passado ou da infância servem como fatos, experiências, não se esconda atrás disso para justificar a sua forma de hoje. Encare a sua culpa, dor, realidade, ame os que fizeram de tudo para você existir. Se você chegou onde chegou, foi porque você escolheu estar onde está, liberte-se desse status de vítima ou de culpa. Olhe para tudo isso com amor e sim, siga vivendo e descobrindo suas verdades.  Acredite que as nossas gerações estão aqui para evoluir, desenvolver e chegar o mais próximo da sua verdade interior. Se liberte desses monstros internos, desse social que insiste em te enquadrar em um padrão, busque a sua verdade. Para isso é preciso perdoar quem mais lhe amou nesse mundo. Eles erraram em alguns pontos, mas acredite, estavam desejando acertar porque sempre nos amaram. Agradeça pelos erros, foram eles que te trouxeram até aqui!

Quando parar na zona de conforto?

Existem inúmeros textos, reflexões ou frases que falam da tal zona de conforto e nos encorajam a sair dela. Acredito que esse lugar é bom para descansar e por um tempo curto, somente para observar a vida e seguir para o próximo passo. Já pensou nisso?  Por que amamos ficar na zona de conforto? Qual motivo de você estar estacionada? O que esse momento te representa?

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Pensando nesses questionamentos, nós vamos falar dos prós e contras dessa tal zona de conforto. Ela é um lugar interno que encontramos para descansarmos ou estacionar a vida. Não buscamos outros sentidos, é um momento que paramos de lutar por algo, porque conquistamos, cansamos. Ás vezes a escolha é não ter uma e ficar ali, parado, olhando o mundo. Acredito que a escolha de seguir ou não tem todo o seu valor. Independente das decisões, você as tomou por algum motivo, seja por medo, ansiedade, cansaço, por não ter coragem ou não saber mesmo o que fazer.

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Nesse ponto, é preciso se perguntar: por que estou aqui? O que estou ganhando com isso? Fazer aquela famosa lista de prós e contras por estar onde está. O fato para na zona de conforto e perceber que você está nela, faz toda diferença.

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O que importa é você ter consciência de onde está e encarar a sua verdade, mesmo que doa. Acolha o que você encontrou nessa zona de conforto, ame e busque sair ou ficar nela. Assuma o que sente, e siga, na sua forma, no seu ritmo, aos poucos você sairá desse estado. Deixe de lado os julgamentos por não ter feito isso ou aquilo, desapegue dessa culpa, encontre algo que te motivou sair e pegue esse impulso, encare a vida de peito aberto. Para nos desenvolvermos é preciso sair da zona de conforto, afinal, água parada não desenvolve. É com o movimento que o universo nos apresenta outros mundos. Esse passará a ser um momento de descanso para o próximo passo! Permita-se!

Por que nos apegamos aos detalhes na hora de viver?

Viver consiste em desapegar, no sentido da palavra mesmo. Falar para desapegar dos detalhes é um pouco contrário do que muitos dizem por aí. Se a vida está nos detalhes, por que desapegar deles?

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Quando me refiro aos detalhes, eles são aqueles que nos prendem e nos impedem de seguir ou realizar algo. Normalmente, eles estão nas crenças limitantes que acabamos criando para nos apegar e justificar o medo de seguir em frente ou de viver. O que seria esse viver?  Pode ser desde um sonho, projeto ou até mesmo de encontrar a sua verdade.

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Muitas vezes essas crenças vêm agarradinhas em histórias do passado, situações que te impedem de se perceber. Onde aprendemos essas crenças? No dia-a-dia das nossas relações, desde de pequenos vamos cultivando, nos identificando e guardando dentro do nosso coração. Quem nos apresenta a elas? Somo apresentados no social e nas nossas relações, através dos nossos mentores, os pais e avós. Normalmente deixamos de perceber o quanto nos apegamos a esses detalhes e de que eles estão nos impedindo de seguir, nos prendendo. A decisão desse apego sempre será sua, na maioria das vezes passamos a usar esses detalhes para justificar o por que as coisas não acontecem. Nos escondemos atrás desses motivos. Você já se encontrou em algum desses momentos? Percebeu se você tem se apegado aos detalhes? Eles estão lhe impedindo?

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O lado bom é que quando percebemos e compreendemos, passamos a desapegar desse detalhe e tudo flui, o universo dá uma mãozinha para acontecer. Detalhes que fazem a diferença entre se apegar e desapegar. Boa parte desse momentos estão em se libertar para viver o novo de cada dia, tornando esse viver a cada vez mais consciente. Então sacode a poeira e bora viver, afinal, a vida está cheia de detalhes bons para se viver. Não se apegue a eles e crie raízes, mas se liberte e deixe fluir. Não esqueça que isso só depende de você!