Mãe em construção: Não julgue uma mãe

Desde que embarquei nessa história de maternidade, me deparo com milhares de dicas, isso já acontecia mesmo no período da gestação. No começo é gostoso de ouvir, mas depois que o seu bebê nasce fica difícil lidar com tantos julgamento e dicas. Sabe por que isso pesa? Porque essa mãe acabou de nascer junto com esse bebê, sim, ela carrega com um pacote de culpa gigante e um ainda maior de amor. Para a mãe há essas duas polaridades: ela precisa lidar com todos os valores e crenças de um social que construiu e ainda dar conta da emoção desse momento. O corpo que muda e o convívio com o bebê, que não encontra aquele amor infinito logo de cara. Passa um mês e logo chega o segundo, as coisas começaram a se ajustar para algumas mães, se tem uma rede de apoio que não julga.  E quando essa mãe reclama do peso desse amor? Ás vezes ela não encontra de primeira e lá vem o pacote de culpa que está em todas as entre linhas. Culpa por não conseguir dar o peito, ou por conseguir e ainda sim ser difícil, culpa por não entender os choros descontrolados, por dar remédios, por medo de não dar conta e por ai vai, eles só aumentam.

bruno-nascimento-255699

Quando encontrar essa mãe recém-nascida, acolha, olhe, pergunte como ela se sente, ao invés de julgar. Existem aqueles porquês já são comuns de ouvir:

– Por que não está dando o peito de três em três horas?

– Por que esse bebe mama demais e seu leite é fraco?

– Por que não deu formula ainda?

– Por que você não trocou quando acordou?

– Por que você esqueceu de colocar a mamadeira ou o bico na bolsa?

– Por que esse bebê chora demais?

– Por que essa criança não chupa bico?

– Por que você está muito estressada?

– Por que você não estava preparada para ter esse bebê?

– Por que você não entende que o conhecimento antigo sempre deu certo?

– Por que você precisa dar chá?

dakota-corbin-243775

Sabe por que é tão fácil julgar ou não entender o outro? Porque nesses momentos, as pessoas que trazem essas dicas ou sugestões estão vendo a sua própria experiência, elas desejam ajudar, mas esquecem que antes de tudo é preciso olhar para essa mãe. Os tempos mudam, as informações circulam em todos os cantos da vida, e esquecemos do mais primordial: a necessidade de olhar para as pessoas de forma humana. É compreender que esse alguém acabou de passar por um processo intenso e está tentando arduamente lidar com essas transições.

2c910c73-d15d-4f6f-971b-e0f0bf1c33a7

Acolha essa mãe e diga: sim é difícil! Sabe porque muitas mães se escondem nas suas culpas? Porque morrem de medo de se sentir ainda mais culpadas nos momentos que falam algo do bebê: “Como ele é muito difícil, chora demais e não dorme”.  Ela só está tentando verbalizar uma angústia, é o desejo de ser ouvida e compreendida. Então, se você já é mãe e tem alguém assim, não julgue, e se você nem passou por esse processo, acolha, não julgue. A gente só entende mesmo, quando for passar. Tudo na vida requer experiência da realidade para compreender o sentimento. O que lemos ou ouvimos não chega nem perto do que é viver a experiência do presente.

Vivemos em um mundo de rótulos

andrew-shiau-283860

Você já parou para pensar o quanto rotulamos pessoas e situações? Porque fazemos isso o tempo todo, onde nos perdemos? Acredite, essa atitude está mais presente na sua vida do que você imagina. Como fugir disso?

 

 

norman-toth-171216

Já comentei em alguns textos sobre o nosso social e o quanto ele é repleto de estigmas idealizados e crenças limitantes. Para viver nesse ideal é preciso ser perfeito, ou seja, criar um lindo rótulo. O “pré-conceito “ é o precursor do “rótulo”, nós o criamos para as pessoas a nossa volta e é nele que nos escondemos das nossas verdades. Sempre foi muito fácil se esconder atrás desses rótulos porque deixo de ter contato comigo e com o outro. Acabo criando estigmas e esqueço que por trás desse estigma existe um ser humano, antes da cor, gênero, raça, escolha sexual ou doença. Às vezes valorizamos esse rótulo criado, talvez porque aprendemos a julgar a forma de existir. Normalmente quando externalizamos algo, é porque cultivamos isso internamente. Como? Repense, eles não vêm de fora para dentro, acontece de dentro para fora. O rótulo criado para pessoas ou situações, geralmente são coisas que você não aceita em si mesmo. Confuso?

james-baldwin-276255

 

Vamos lá! Nós estamos nos relacionado o tempo todo e trazemos para essas relações nossas crenças limitantes, valores aprendidos. Muitas das vezes acabamos colocando isso antes de realmente conhecer essas pessoas. São nesses momentos que você percebe o quanto se julga internamente. Dessa forma, acabamos transferindo para as nossas relações e criando esses rótulos cheios de “pré-conceito”, mas tudo isso nada mais é que a nossa incapacidade de olhar para nós mesmos. Dói saber disso e talvez você não irá aceitar de cara, mas repense esses rótulos que vieram de algum lugar.

alexandra-kirr-322679

Se você encontrar, acolha isso como seu, ame e agradeça por poder perceber. Antes de criar rótulos olhe para o outro de forma empática. Exerça isso! Tenho certeza que você conseguirá se olhar dessa forma. Não é fácil, mas se permita se atualizar e ressignificar.

Experiências difíceis reservam grandes aprendizados. Você já pensou sobre isso?

Cabe a você escolher encarar ou não essas experiências. Sabe aquela história que você tem vergonha ou evita contar para as pessoas com medo de como será visto? Então, essa história que você insiste em não resolver e esquecer e que volta e meia aparece no seu consciente como pingo d’água. Vamos repensa-la?

kate-williams-92906

Acredito que não será fácil revisitar essa história, pode ser que doa e machuque. Contudo, é nela que existem muitos aprendizados. Nossos fracassos nos dão feedbacks fantásticos. Como perceber isso?

Parece loucura, mas não é, eu lhe garanto.

ishan-seefromthesky-329343

Quando acessamos algo que insistimos em esquecer, todos os sentimentos vêm à tona, esses, aqueles que fazemos uma força gigante para esquecer. Quando eles voltam é preciso acolher e buscar compreender. Se algo está constantemente batendo aí na sua mente, pode ter certeza que isso significa algo e o seu inconsciente está tentando lhe mostrar. O primeiro passo é olhar para essa situação e se perguntar: O que esse sentimento ou história está tentando me mostrar? Esses momentos trazem acoplados julgamentos, medos e inseguranças. Tente pensar em porque você chegou nesses sentimentos, o que te movimentou nessa história. Acredito que será difícil revisitar esses sentimentos, mas a raiz das respostas está dentro de você. Quando nós nos permitimos olhar para os nossos fracassos como aprendizados, passamos a aceitar que nem sempre acertamos. Às vezes é preciso perder-se e ter histórias se insucesso, afinal, esses momentos nos mostram nitidamente o caminho contrário do que não fazer. Acredite em você, o segredo do seu autodesenvolvimento e equilíbrio emocional estará sempre nesses desafios. Para saber onde você deseja pisar é preciso amar, compreender, repensar e assim ressignificar e estar aberto para a vida lhe trazer outra situação. Só assim você poderá colocar em prática o que assimilou nessa história escolhida.

noah-silliman-107988

Esses momentos ensinam a importância de perdoar a si mesmo e, quando conseguir você irá começar a olhar para esses momentos e enxergar as pessoas envolvidas de outra forma. Vivemos o que escolhemos viver, a responsabilidade por estar onde está é inteiramente sua. As circunstâncias existiram, mas a escolha de vivê-las, ficar ou sair é sua. Pare de usar essas histórias de insucesso como muleta para justificar o seu medo de seguir. Não faça isso com você! Se permita olhar de forma acolhedora para suas histórias. Tente uma vez fazer esse movimento de estar presente.

Quatro motivos que nos impedem de nos percebermos

Muitas vezes nosso dilema está em não conseguir perceber ou aprender a olhar para a nossa vida como algo que precisa de cuidados. Por que temos tanta dificuldade de nos percebermos? O que veda os olhos para as nossas verdades?

emma-simpson-153970

Existem diversos fatores, hoje vamos falar de alguns e buscar compreendê-los:

– Dificuldade em acreditar que temos a capacidade de mudar nossa própria vida. Esquecemos facilmente que somos capazes de movimentar nossa história para onde desejarmos.

A solução é buscar estar cercado de pessoas que acreditam que são capazes de mudar a própria vida, pessoas que nos inspiram, que acreditam na gente e podem nos dar apoio nesses momentos.

allef-vinicius-330116

– Estar mais preocupado em mostrar para o outro como estamos bem, como somos felizes, mas no fundo não acessamos nosso íntimo ou nem lembramos que existe.

É preciso desapegar do passado, das dores, usando elas como apoio para justificar o motivo de não conseguir seguir em frente.

– Ser vítima. É perigoso porque estamos o tempo todo nos vitimizando, falando “para você é fácil, mas para mim tudo e muito difícil e complicado sempre”.

ariel-lustre-242326

– O nosso queridinho MEDO. Temos medo de olhar para a nossa vida e descobrir, imperfeições onde teremos que colocar o dedo nas feridas que tanto fugimos. Temos medo de não sermos mais amados, aceitos. Nos cercamos de medo e nos vitimizamos, temos um prato cheio para não sair do lugar.

sam-manns-378189

Você conseguiu se ver em algum desses momentos? Consegue entender o porquê está fazendo isso? Fazendo sentido agora ou não, o importante até aqui é você pensar no porque tem esquecido tanto de olhar para si. Por que você tem abandonado os seus projetos e sonhos? Olhe para si e acesse o que tem de mais verdadeiro em você e acredito, você tem toda a força que precisa para seguir em frente. Há muitas escolhas que, no meio do caminho, as pessoas que você imaginou que ficariam irão embora. Tenho certeza que será por um tempo, porque quando acessamos o que temos de mais valioso, a vida se encarrega de colocar pessoas certas. Nossa vibração muda com a gente e com o universo, traz tanta novidade que você nem dará conta. Permita-se para a sua verdade!