Gestação: Construção com prazo de 9 meses para entrega

Engravidar é um desejo que vem impulsionado por uma curiosidade tremenda e muita indecisão. No meu caso, tomei a decisão e isso foi muito real dentro de mim. O fato de viver a experiência da gravidez foi repleta de pesos e medidas. Pesado no sentido dos desafios, de abrir mão de você para construir algo novo, algo que você só imagina como será. Gostaria de deixar claro que cada mulher tem o seu processo na gestação, o intuito aqui é refletir sobre essa fase e os dilemas que algumas de nós podem se identificar agora ou no nascimento do bebê. A curiosidade em desejar viver o que a vida apresenta sempre me motiva.

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Esse dilema de deixar a individualidade de lado e desejar controlar tudo, passou a sofrer mudanças durante o processo gestacional. Eu percebi quando:
– Tive que parar de usar saltos alto por horas;
– Abrir mão de beber drinks com as amigas;
– Me peguei acordando diversas vezes na madrugada para ir ao banheiro;
– A barriga passou a limitar meu caminhar e a mobilidade;
– A barriga passou a crescer e tirar um pouco do meu desejo de poder vestir tudo que gostava, principalmente o jeans e um lindo salto 12;
– As dores nas costas me limitavam para trabalhar durante algumas horas sentada;
– O ficar horas em pé se tornou pesado;
– Passei a ligar para minha mãe e pegar dicas do que fazer e saber como eu era quando pequena;
– Passei a falar com amigas perguntando: “E com você, como foi?”

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Essas seriam algumas das limitações e dúvidas que senti. Percebi que esse ser de luz, já estava me ensinando a ser menos individualista e mais paciente.  Me deparei com a dor de abrir mão de mim para algo que sinto, mas ainda nem conheço o rosto ou o cheiro. Pode parecer egoísmo, mas aceitar essa realidade fará diferença lá no futuro.

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Dentro da gestação tem algo muito sutil que são os nove meses que a compõe. Cada trimestre nos ensina algo novo e em todos eles sobre o ato de esperar, mas para que serve tudo isso?  Esse tempo é perfeito para essa construção, eu busquei viver cada trimestre de forma presente enfrentando a angústia que eles me apresentavam:

– 1° trimestre: é a fase da mistura, oscilações de sentimentos tomados por uma ansiedade. Nos perguntamos constantemente: “Como será? ” Recebi amor de tanta gente sobre a gravidez e me deparei com um medo danado desse bebê não ficar até os três meses. Bateu uma curiosidade de como será quando a barriga crescer, o mexer, terei estrias, o que tenho que comer, menino ou menina, como será o quarto e por aí vai. Eu chamo essa como a fase da montanha russa (choro, sono, falta de sono, ansiedade, amor).
– 2° trimestre: Essa é a fase da plenitude, onde já sabia o sexo do meu bebê. Sonhei com as roupas, a decoração, como seria o chá de bebê, até a barriga começou a crescer e senti os primeiros movimentos. Você está, literalmente, pertinho do céu!
– 3° trimestre: Voltamos a montanha russa, chá de bebe acontece, decoração do quarto, roupinhas, organizar tudo. O prazo apertou, o desconforto chega com tudo, a bexiga se espreme com as 35 semanas.  É preciso organizar a vida com a vinda do bebê que está quase ai. Isso inclui organizar trabalho, bolsa, casa, lavar as roupinhas, marido, cachorros. Sem contar a falta de paciência, amnesia profunda e confusão mental, envolvida por uma curiosidade sem fim de que ela chegue logo e eu possa conhecer o meu anjo.

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No meio desse turbilhão, existe um Deus tão perfeito que te prepara até para as acordadas do bebê antes mesmo de ele chegar. Você se condiciona a acordar de três em três horas para ir ao banheiro. Nesse ponto que percebi que já estava, sim, deixando a individualidade, a autonomia e os controles por algo que me controla e ensina de dentro para fora. O melhor disso tudo? Perceber que esse abrir mão vai se tornando tão normal quanto o fluxo da vida, esse de esperar até o nascimento. A Julinha nasceu, estou preparada para receber esse amor, onde o peso do abrir mão de mim é somente um detalhe para a nossa relação fluir e, com certeza, minhas prioridades mudarão (já mudaram).

Por que fugimos tanto das nossas crises internas?

Vivemos a vida em um curso de oscilações, o equilíbrio existe em alguns momentos com encontros e desencontros. Ás vezes, passamos a perceber o quanto é bom estar presente e aberto para a vida. Dentro dos atendimentos que realizo e até do meu próprio processo autoconhecimento, percebo o quanto fugimos das nossas crises internas, ou seja, do nosso caos. Nós temos medo de ter esse encontro com a nossa parte imperfeita e acabamos fugindo. Pensando nisso, existem três pontos para refletirmos que nos impedem de vermos a nossa crise como um lindo encontro com a nossa parte imperfeita.

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– Idealização: como já falamos, estamos em uma sociedade ditadora de valores e formas de viver, a nossa cultura é muito infantilizada. Há uma busca constante para tirar a nossa responsabilidade e isso impede nosso crescimento.

– Acordar para a crise: nesse momento percebe-se que a idealização não tem nada a ver com você, ou seja, há a possibilidade de um despertamento. Você se deixa ver e coloca-se frente a frente com a sua dificuldade de perceber e aceitar. Com a aceitação vem um processo transformador.

– O Julgamento: esse ocorre quando acordamos dessas idealizações, passamos assim a nos julgar sem nem ao menos perceber. Nos culpamos por termos sido incapazes de perceber, surge um sentimento de vergonha. Acessar essas emoções é um grande passo para despertar. Esse momento exige o desafio; ou você encara essa crise interna, ou você nega e deixa na gaveta das suas histórias mal resolvidas. Muitas vezes essa gaveta já está cheia! Cuidado.

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O importante é você perceber que tem duas opções e escolher de forma consciente, aceitando o que cada uma delas lhe trouxer. Colocar a responsabilidade no outro por essa escolha não é nada confortável. Esteja junto dela e assuma para si a responsabilidade. Caso opte por entrar nessa crise de peito aberto, vá! Converse com esse momento, analise, se questione. Por que essa crise chegou? Por que não quero percebê-la? O que me impossibilita de ver? Por que dói tanto enfrentar?

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Uma dica: escreva as perguntas e responda, quando responder fale do fundo do seu coração, sem julgamento interno, escreva essa verdade para você mesmo. Por mais que doa, posso garantir que isso é um grande diálogo consigo. Refletir sobre o que lhe traz angústia, lhe permite uma nova visão para essas crises. O segredo é sempre exercitar esse contato consigo, entenda que mudança é autoconhecimento, é um constante acessar de crises, aprender com erros, viver essas felicidades e transições, acreditando que esse ciclo não acaba. Logo irão chegar grandes desafios, conforme você for aprendendo.

Em terra de ansiosos, a espera se torna angustiante

Dilema hoje: o esperar se tornou artigo de luxo. Em dias onde o futuro ansioso se tornou prioridade, o presente é representado pela espera do momento que está por vir se tornando angustiante. Onde nos perdemos nessa tal ansiedade? Por que nos sufoca a ponto de perdermos o ar, sentirmos aperto no peito ou, em doses muito altas, desenvolvermos transtornos de ansiedades? O que movimento esse bicho da ansiedade gerado por algo que nem chegou ainda?

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Penso que a espera desencadeia diversos elementos no dia a dia. Vamos refletir sobre alguns deles:
– Ato de esperar, esse sim me amarra no presente. Nos traz certo sossego e nos tira do passado, causa como uma anestesia para pensar na realidade da construção do hoje. Sendo assim, desencadeia uma angústia do por que ele ainda não chegou.  É aí que o esperar se torna um dilema. Nossa vida antes da tecnologia se mostrava muito mais certa. Talvez porque não éramos bombardeados de tanta informação, tanta gente expressando a opinião sobre tudo e todos. Dar um “Google” de como resolver algo rapidinho, tornou-se a justificativa mais plausível para matar a espera. Vamos até um profissional, seja médico, fisioterapeuta, psicólogo, ou dentista, desejando um resultado rápido e imediato. Afinal, você leu por aí que isso é possível. Nós estamos mergulhados em um imediatismo motivado pela ansiedade e pela “falta de realidade”. Desejamos algo sem saber “esperar”.

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Uma palavra pequena que desencadeia uma série de dilemas internos, emoções que na maioria das vezes são negadas ou simplesmente fazemos questão de não ver.  Como diz Baumann: “vida liquida”, nos transporta para algo sem contato, que dilui ficando impossível de pegar, escorre pelos dedos. Há pouco tempo, quando nós erámos crianças ou até pelo que nossos pais falavam, a espera era algo comum. Esperamos para uma semente florescer, por uma gestação, para buscar um emprego, se formar ou até fazer uma comida. Estamos rodeados pelo o ato da espera. Se você não estiver disposto a esperar pelo tempo certo, acaba “colhendo” algo que não está pronto e isso gerando um grande dilema.

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Para chegar ao resultado desejado, por não sabermos esperar, precisamos retornar ou até iniciar novamente todo o processo. O problema está na impossibilidade de retornar. Dentro de tanta espera o que importa é você respirar fundo algumas vezes e buscar se situar no seu dilema, a respiração é um grande aliado para te trazer para a realidade. Pense sobre essa espera e a angústia que ela causa e tente perceber onde você se perdeu nessa ansiedade que sufoca e tira o ar. É difícil, mas será ainda mais dolorido estar no futuro sem construir o presente, sem saber esperar. Será que o resultado de hoje seria diferente se aprendêssemos esperar a maturação do que tem que ser? Pense nisso!

 

O dilema de ceder nas relações é revelador

Vivemos constantes dilemas nas nossas relações, principalmente a amorosa. Nós acabamos enfrentando algumas dificuldades quando não aceitamos a realidade e a existência do outro no relacionamento. Isso acontece porque temos um medo danado de deixar o outro ser ele mesmo, afinal, dói quando ele deseja viver a sua liberdade.

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Acredito, que no fundo somos levados pelo medo de estarmos sozinhos, de estar com você mesmo, frente a frente. Ao ver as nossas verdades, isso nos machuca, porque não desejamos ceder para o outro.  Nós fugimos ao máximo desses confrontos internos e consequentemente, de nossas relações, porque é ali onde habita a dificuldade de confrontarmos nossos medos. Mas afinal, do que estamos fugindo?

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Confrontar-se e encarar as suas verdades não é uma tarefa fácil. Esses momentos são dolorosos e você ainda percebe que estar numa relação também é algo solitário. Ás vezes tudo a sua volta está bem, caminhando como você sempre sonhou, mas de repente você se sente encorajada de seguir, julga-se por não se sentir merecedor (a).  São nessas situações que surgem nossos dilemas internos:
        – A raiva por não  estar fazendo do seu jeito e ter que ceder para o outro;
        – A negação de não olhar para a realidade sob a lente do outro e ficar resistente para ceder;
        – De sentir-se cansada de lutar internamente com seus medos e ás vezes não  ter ideia do porque os sente;
        – Sente-se injustiçada porque o outro não está olhando para você;
        – Estar diante da sua verdade e desafiar-se a abrir de seus desejos.

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Você já se sentiu assim em alguma das suas relações? O que fazer com tudo isso? O primeiro passo é compreender a forma que você busca colocar o tom na sua relação e o caminho é aceitar internamente o que lhe dói, acolher e conversar sobre isso. Não é uma tarefa fácil, mas quando nos disponibilizamos ou cedemos torna-se possível ver outro e compreendê-lo melhor. Acolher o que nos machuca e falar o que sentimos, conseguir ver o outro e ceder, para assim gerar a harmonia.

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Assim, cada um apresenta a sua forma e dá o seu tom à relação. É preciso se desapegar das idealizações criadas, achando que o outro é o eterno responsável por ceder. É preciso amar a si para perceber a importância de amar o outro na sua forma. Relações nunca serão perfeitas, sempre terão ajustes quando ambos acreditam que podem dar a sua cor ao relacionamento.