Visão dos A’s: Aceitar, acolher e amar quem você é hoje!

Passamos uma vida nos construindo e desconstruindo, onde por momentos temos a real certeza de onde estamos, e em outros nem tanto. Momentos esses, que nos transportam para questionamentos internos, será que aquilo que vejo sobre mim é verdadeiro?  Ás vezes nem vejo nada em mim. Como é isso? Como perceber isso?

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É interessante refletirmos o quanto nós nos percebemos em nossas ações, a forma como agimos nas relações e como os fatos que vivemos nos afetam. Será que, de fato, percebemos como somos nesses momentos? Nos relacionamos com as pessoas e conosco mesmo? Talvez, ao parar para refletir, você se depare com a angústia de não ter respostas, ou quem sabe você conseguirá perceber alguns sentimentos que te representam nesse momento. Independente se você encontrou ou não algo que te represente, o importante é aceitar. Você precisa acolher e amar, isso faz toda diferença no seu processo de autoconhecimento, desenvolvimento pessoal ou inteligência emocional.

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Muitas vezes, essa busca de encontrarmos o que é nosso e como somos, vem permeada por um julgamento enorme e por um sentimento de que fizemos tudo errado. Então nos questionamos: “Como isso me representou um dia? ” Por isso é preciso compreender o significado de cada uma dessas palavrinhas.

Aceitar – consentir em receber, ou seja, compreender que é preciso receber esse sentimento, seja ele bom ou “ruim”. Acredite que há um sentido por ele estar ai com você.

Acolher- oferecer ou obter refúgio, proteção ou conforto físico; abrigar, amparar. Aceito e acolho como meu, esse sentimento. Agora, caminho para a formar o mais profundo e cheia de significado, o simples amar.

Amar – como produto seu, apesar de tudo isso, existe para você. É preciso compreender que quanto mais você fugir dessa identificação, mais irá se gerar uma angústia incerta.

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O vilão e realista que aparece nesse processo é o julgamento e ele permeia todo o nosso processo. Passamos a vida acreditando que tudo tem que ser “perfeito”, não teremos trabalho e nem dor, nos julgamos porque temos a grande ilusão de acreditar que viver não demanda dor, dificuldades. Quando esse sentimento aparece, nos coloca frente a frente com a nossa realidade, mas o que importa até aqui é o que você se construiu através das suas relações com você mesmo e com as pessoas. O viver sempre será esse redescobrir, ressignificar, aceitar, acolher, amar e ás vezes é preciso deixar para trás algumas formas.

Para estar presente na experiência diária, é preciso entender que viver sempre será um novo começo todos os dias.

 

Vida adulta? Como lidar com a sua criança mimada interna.

Você já se perguntou como lidar com a criança mimada que insiste em permanecer na sua vida adulta? Essa fase nos exige responsabilidade, autonomia e realidade. Você sente esse questionamento interno? Já se percebeu como uma criança interna “mimada”, que luta e faz manha sobre a vida. Está confuso? Vamos falar um pouco sobre como identificar essa “criança mimada”.  Esse perfil normalmente age no nosso inconsciente porque vem cheia de valores do passado, por isso a mantemos longe do nosso consciente. Muitas vezes não sabemos como lidar com esse sentimento ou nem percebemos que ele existe.

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Vamos pensar em situações que não acontecem como sonhamos, então as manhas e birras vêm do inconsciente diante de situações da vida adulta.

Existem momentos que negamos fazer algo por nós mesmos e mobilizamos as pessoas a nossa volta para decidirem pela gente. Depois culpamos essas pessoas por não terem tomado a decisão que desejávamos.

  • Criamos situações e momentos, para convencer pessoas que julgamos serem fortes na nossa relação afim de nos vitimizarmos. Fazemos uso da frase “Não dou conta” ; “Faço tudo errado”.
  • A famosa cara de “gatinho do Shrek” busca, através da sua arte de seduzir, pedir algo.
  • Nos irritamos, esperneamos, brigamos fazendo aquela “tempestade no copo d’água”. Tudo isso para captar a atenção da pessoa que temos como referência para resolução dos nossos problemas.

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Esses são alguns exemplos, mas pare para pensar em quantas vezes você fez isso na sua vida. Reflita sobre as suas tentativas para escapar da realidade de ser adulto. Nesse momento, o que conforta é se você se percebeu em alguma dessas situações e notou essa “criança mimada interna”, que adora ser o centro das atenções. Agora doeu? Pois é, dói perceber que usamos isso nas relações. É uma dor que existe e sempre existirá dentro de você, quando você se perceber dentro dessas situações. Você precisa parar, refletir sobre isso e tomar uma decisão. Por que isso? O que você ganha? Força para perceber os momentos que aparecem na sua vida e aos poucos ir compreendendo como ela caminha. Essa “criança mimada” só precisa de amor e atenção para ser ouvida. Precisamos compreender para então desenvolvermos inteligência emocional, para alcançar o autoconhecimento é preciso mergulhar dentro de si. Encontre tudo que é lindo e aquilo que julga como “feio”, “escuro”, como seu. Nós somos imperfeitos e a perfeição foi idealizada para nos afastar da nossa parte humana, tão verdadeira e transformadora quando se aceita.

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Dessa forma, ressignificamos a nossa forma de ver o mundo interno e consequentemente aceitamos os outros nas suas imperfeições. Abrace, ande de mão dada com essa criança mimada, com certeza ela tem muito a lhe ensinar! Permita-se!

 

 

 

Angústias de um tempo que passa, volta, aperta e descansa.

A angústia nos sufoca, aperta, espreme e em alguns momentos nos deixa com aquele aperto no peito. Ao mesmo tempo ela nos movimenta, gera curiosidade, intensidade e verdade. Quando a percebemos desejamos logo nos livrar dela e arrancá-la onde estiver, mesmo sendo dentro da gente. Algumas vezes não percebemos que ela está ali dentro e procuramos fora, tão fora que culpamos os outros, as relações, “esperneamos” ao mundo. Quando nos damos por conta que ninguém ouviu voltamos a pensar: “Onde está? ” Será que ela está nesse tempo que não para, passa, passa e passa cada vez mais rápido? Pensamos que enfim encontramos o culpado da angústia, mas o tempo move-se tão rapidamente, ele não nos traz esse sentimento. Passam-se dias, semanas, meses, horas, lá está ela novamente, a angústia.

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Ela não está fora, no mundo, relações ou pessoas muito menos no tempo, mas afinal, onde será que esse sentimento se encontra? Eu a sinto no meu peito, algo dentro de mim, seria ali onde ela surgiu? Depois de ir, vir e rodar, estamos de volta ao princípio, porque se sai de mim, percebo que é meu. Talvez você se identificou ou se sentiu ainda mais angustiado até aqui. Deixa eu te contar uma coisa: ela está constantemente dentro da gente. Como já conversamos sobre alguns sentimentos que nos incomodam, eles normalmente se apresentam a nós e acabamos fugindo. A angústia é da família do medo, da ansiedade, da raiva, da tristeza, mas são integrantes importantes do nosso processo de autoconhecimento e inteligência emocional.

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Agora que colocamos a angústia na família, podemos refletir sobre isso. Ela é responsável por nos impulsionar para a mudança, mas quando negada ou não compreendida torna-se um monstro que nos carrega para um lugar interno onde muitas vezes nos falta o ar. Quando encarado como existente, assumimos a sua dor e o identificamos, torna-se então nosso maior aliado.

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Mas como fazer isso? Comece amando o que lhe pertence e esse sentimento é seu, precisa ser observado e compreendido. Com essa atitude, o tal monstro vai embora por um tempo, então aproveite, curta tanto a ida quanto a chegada dele. Ao voltar, normalmente se encontra camuflado e quase nem o percebemos, para nos tornarmos sensíveis aos nossos sentimentos é preciso se permitir estar presente na vida, sentindo e errando quantas vezes forem possíveis. Viver é se encontrar, se perder, encontra-se novamente, curtir o que se tem, perder-se de novo. Quando você compreender esse ciclo, descobrirá que não adianta controlar. Controle só funciona, em algumas vezes, no momento presente.

 

 

 

Egoísmo e individualidade nas relações. Como esses sentimentos nos afetam?

São dois pontos existentes internamente que transpassam para as nossas relações quando não compreendidos. Podem nos confundir e nos cegar, nos levando a ter atitudes simplesmente para nos defendermos. Passamos o tempo todo buscando formas de existir em nossas relações, a procura de maneiras que nos mostrem autênticos. Por desejarmos colocar a nossa marca no mundo, ás vezes “levamos um gelo”. Dessa forma geramos medo ou até receio de nos abrirmos para o outro na relação, trazendo à tona certa intolerância, como se dizendo: “Se eu não existo, o outro também não pode existir”.

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Muitas vezes confundimos egoísmo e individualidade. Vamos definir para clarificar a nossa conversa:
Egoísmo: “Egoísta é um adjetivo de dois gêneros que qualifica aquele indivíduo que trata só de seus interesses, que só consegue pensar em si mesmo, em seus desejos e necessidades.”
Individualidade: “Pode ser definida como o conjunto de atributos que constituem a originalidade, a unicidade de uma criatura, e que a distinguem de outras tantas; é o somatório das características inerentes à alma humana. Toda criatura que se individualizou tornou-se um ser homogêneo, pois não mais procura comparar-se com os outros, admite a sua singularidade.”
Devemos refletir sobre o quanto somos egoístas ao ponto de não percebermos que nós mesmos derrubamos as nossas escolhas e relações. Como pensar sobre isso? O que nos impede ou cega para nós mesmos, não permitindo o outro apresentar-se dentro da sua individualidade?

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Acredito que existam dois momentos que nos projetam para a situação.
– Medo de perder tudo o que você fez para conseguir estabelecer a sua individualidade. Você age como uma criança mimada quando alguém rouba seu brinquedo ou não lhe dá atenção. Você se pergunta: “Se eu não existo com a minha forma, porque tenho que ceder para o outro existir na sua história?
– O fato de acreditar que as relações que você estabelece são responsáveis por te entregar o que você idealiza sobre amor, atenção, afeto, cumplicidade ou aceitação. No fundo, cada um busca ser amado da forma como deseja, sob a sua própria ótica, sem nem perceber o outro.
Momentos de defesa como esse, ativam a nossa forma egoísta de ser.

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O primeiro passo é trazer para si a responsabilidade do sucesso nas suas relações, tirando do outro uma expectativa que foi colocada sem consentimento mútuo. Assumirmos as nossas formas imperfeitas de funcionar e assim olhar para as situações e as relações estabelecidas. Por que você deposita sobre isso a responsabilidade de dar certo? Aceite verdadeiramente quem você é, nós somos egoístas sim, ao ponto de culpar o outro numa tentativa de justificar dizendo que “é muito difícil conviver com algumas pessoas”. Precisamos compreender que para o outro existir na sua individualidade, temos que existir, perceber e identificar, aceitar os erros alheios. Dessa forma, passamos a assumir a nossa parte e a nos amar, percebendo que o relacionar-se é complexo sim, exige dedicação e auto percepção de como nos relacionamos. Teremos escolhas, dores e medos. Não existe uma fórmula secreta, mas uma boa dose de realidade e boa vontade para arregaçar as mangas da vida e viver cada dia desejando aprender com o que ela nos apresenta. Permita-se!