Mãe em construção: Juntando os pedaços

De tantas partes me distribui, me despedacei no decorrer desses noves meses, tudo isso para encontrar um novo pedaço dentro de mim, o de ser mãe. Uma palavra tão pequena, mas com um grande significado, não aquele do dicionário. Busco a cada dia o meu significado de ser mãe, de ser essa mulher que vive a experiência de ter um bebê totalmente dependente de você, isso é mágico. Quando somente o seu cheiro acalma, seu leite alimenta, sua voz distrai e aqueles olhos encantadores brilham e olham diretamente para você. Mas existe um outro sentido, aquele do cansaço físico e emocional, das madrugadas em claro, por mais que todos te falem só vivendo para você ter a certeza de como é cansativo. Você se depara com aquele desejo que tinhas de fazer a livre demanda de amamentação, você pensa e repensa, então volta no seu cansaço. Há uma mistura de medo por estar com esse ser humano nos seus braços. E agora?

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Eles dormem também, é a parte que você acorda para ver se está respirando, já é via de regra. Levanta achando que perdeu seu bebê ou que algo aconteceu. É um conflito constante e ele acontece nos horários de mais falta de sono. Nos achamos péssimas mães, ás vezes ou quase sempre, por não conseguir fazer aquele bebezinho parar de chorar, mesmo diante de tantas tentativas. É pegar no colo, colocar pertinho do seu cheirinho ou no seio e tudo acaba, volta aquele afeto de saber que esse pacotinho esta ligadinho em você mais que nunca.

Esse bebê tem pai, mas é somente você nessas madrugadas, e nós tentamos nos encontrar dentro desse caos de amor e ódio.  O marido ou companheiro dorme, ajuda sim, dentro do que eles podem, porém, as ajudas são outras. Nesses primeiros três meses de vida é você, o bebê procura seu cheiro para acalmar. Isso é divino, perceber essa ligação de vocês e a dependência estabelecida ali.

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Nesses momentos é importante se observar, cuidar para não isolar o pai desses primeiros meses. Devido a intensidade dessa experiência, acabamos transferindo a raiva e a frustração por não poder dormir e do cansaço, além da dependência do bebê, para o companheiro ou quem nos auxilia. Reconhecer isso não é uma tarefa fácil, mas é preciso para construir essa nova relação de vocês três. Preciso aceitar que temos papeis diferentes que se completam. Os papais ou quem você eleger como companheiro ou companheira, mesmo os avós fornecem apoio para passarmos por essa transformação, são eles que nos dão o suporte emocional. Se apoie neles, os bebês dão trabalho e é preciso uma força tarefa quase sempre!

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Você não pode exigir do outro o que é seu papel. É muito importante compreender onde está a raiva, acessá-la, pois, isso trará uma linda construção do seu papel de ser mãe. Não existe uma fórmula, precisamos viver um dia de cada vez e desapegar das crenças e valores ditados, julgamentos internos, idealizações criadas pelo social, esses são os maiores vilões. Qual o seu significado de ser mãe? Ser mãe está em tentar acertar, ficar muito feliz quando o faz, tentar novamente quando não der certo, até estar exausta e finalmente conseguir. Acredite que o segredo mais antigo e verdadeiro é ouvir seu sexto sentindo, ele liga vocês e é invisível, sentido somente pelo toque, cheiro, afeto. Somente a experiência o dia-a-dia com seu bebê irá construir esse papel de mãe e o seu sentido, não as pessoas a sua volta. Talvez seja necessário desconstruir, para então construir.

Qual é a dessa tal felicidade? Por que a buscamos tanto?

Estamos a sua procura diariamente e quando a encontramos nos agarramos nela, esperando que traga certo “equilíbrio”.  Acreditamos que ela é estável, mas será que realmente o é?

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Porque buscamos tanto a felicidade? O que nos movimenta? Vamos refletir sobre o conceito desse termo:

“Felicidade é o estado de quem é feliz, uma sensação de bem-estar e contentamento, que pode ocorrer por diversos motivos. A felicidade é um momento durável de satisfação, onde o indivíduo se sente plenamente feliz e realizado, um momento onde não há nenhum tipo de sofrimento.” (Fonte: https://www.significados.com.br/felicidade/ )

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Como o significado mesmo já diz, se trata de um “momento”, ou seja, situações, sonhos realizados, quando adquirimos algo que tanto desejávamos, quando temos a pessoa que amamos por perto, rever alguém, estar em alguma situação que desejávamos estar.  Você sabia que os neurocientistas dizem que o nosso corpo ativa os sentidos através de quatro substâncias, é chamado o “quarteto da felicidade”: endorfina, serotonina, dopamina e oxitocina. (Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/geral-39299792 )

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Buscamos por ela para encontrar essas sensações sutis, porém elas nos transformam. Esses “momentos” nos ajudam a enfrentar um dia pesado, uma pessoa que inconveniente e até um dia cinzento. O importante é percebermos que esses momentos vêm, nos ensinam algo e ficam na memória, como simples lembrança. São momentos, então sinta eles, curta ao máximo, não se apegue como troféus. Muitas vezes, desejamos ter esses momentos de felicidade como “aquele” troféu do passado no presente. Busque lembrar desses troféus como momentos de felicidades, sempre estaremos construindo nosso futuro, no presente.

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Dessa forma, você irá perceber que a felicidade está em simples detalhes, desde comer algo que ama, fazer atividade física, ouvir uma música e até no sorriso solto de alguém que você ama, mesmo no ver um dia lindo de sol.  O que dificulta nesse processo de felicidade é quando buscamos a estabilidade em um momento, passaremos dias infinitos buscando e não conseguiremos encontrar o fator constante nesse sentimento. Vivemos atrás desses momentos grandiosos de felicidade, acreditando que durarão por décadas e deixamos de vê-la nos detalhes dos nossos dias. Se permita olhar para seu dia-a-dia tendo a certeza que terás muitos “momentos” de felicidade, onde é preciso desconstruir as crenças para receber o novo.

Permita se!

Desejamos colher frutos, mas não sabemos esperar!

Os frutos que você está colhendo são seus? Você os plantou? Ou andou colhendo frutos do vizinho? Muitas vezes temos o hábito, seja de forma premeditada ou inconsciente, de colher o fruto ou surfar na conquista do outro. Não existe nada de ruim em fazer isso. Mas vale parar para se questionar onde você tem colocado as suas “sementes”.

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Vou utilizar a palavra “semente, “fruto” e “colheita” me referenciando a sonhos, objetivos e projetos.

Temos tantos amigos por perto, pessoas que admiramos e nos completam, mas muitas vezes acabamos esquecendo das nossas “sementes” e passamos a desejar colher o que o outro plantou. Isso pode acontecer de forma bem consciente ou inconscientemente. Tanto em uma como na outra acabamos julgando ou criticando o outro, achando o “fruto” ruim.

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Acabamos projetando no outro o que deixamos de fazer, ou seja, esquecemos das nossas “sementes”. Só nos damos conta disso porque esse “fruto” não nos serve, por vezes é amargo e nem traz tanta satisfação. Sendo assim, nossa primeira ação é a de criticar a “colheita” do outro, encontramos milhões de erros e ainda desejamos dar palpite de como fazer. Se você se identificou até aqui, repense e reflita sobre esses momentos. Se pergunte porque você deixou de plantar as suas próprias “sementes”. A vida tem essa coisa linda chamada estações, nós temos isso dentro da gente, há tempo de colher, plantar, esperar e até adubar as nossas “sementes”.

Talvez você jogado suas “sementes” fora porque não tem paciência de plantá-las para colher no tempo certo, preferindo pegar o “fruto” do outro. Quem sabe jamais tenha se permitido plantar as suas e ter o prazer de colhê-las. Existe aquela clássica justificativa: “Não tenho tempo para esperar”. Mas esse tempo será gasto com a insatisfação diante dos “frutos” dos outros.

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Porém tudo é uma escolha, dê conta daquilo que você escolher sem culpar quem plantou. Caso você deseje plantar suas “sementes”, saiba que pode levar tempo para colher, mas quando começar a brotar, quando começarem a aparecer as primeiras oportunidades você irá perceber que essa “colheita” só está no começo. Para um “fruto” ser bom precisa passar pelas estações e ter muita paciência. Quando essas “sementes” germinarem você não dará conta de colher tudo de uma vez e irá apreciar cada “fruto”. Só então você aprenderá a guarda-los para os momentos certos! Desejo à você uma linda colheita!

O quanto as tuas escolhas te representam?

Você acredita que as escolhas que você fez na vida te representam de alguma forma? Elas foram motivadas por alguém a sua volta, quanto há de você nessa história?

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Sempre que atendo pessoas em processo de desenvolvimento, percebo que há uma forte insatisfação com algumas escolhas, seja por não se sentirem pertencentes a elas ou por não terem seguido as suas próprias. Existem dois detalhes bem sutis no ato de não fazer a sua escolha:

1- Algumas são escolhas do momento e elas não lhe representam, mas foi o caminho possível naquela circunstância. Essa é a nossa primeira resposta. Precisamos compreender o quanto é difícil colocar a nossa verdade nas escolhas em determinados momentos.

2- Existe aquele momento de romper com as escolhas ditadas, aquelas que já vem prontas. Nós sofremos influências a todo momento, seja da sociedade, de familiares, crenças e valores. Esses sempre serão os nossos principais dilemas na vida. Não é fácil romper com essa torcida organizada, desconstruir tudo isso para perceber onde você está em sua própria existência.

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Muitas vezes nos damos conta, que precisamos romper com as escolhas ditadas na nossa vida durante os momentos de dificuldade. Sabe aquele ditado popular ” se não for por amor vai pela dor”? Pois é, na maioria das vezes vai pela dor. Ficamos doentes, perdemos algo que amamos e então acordamos, percebemos o quanto deixamos de existir nas nossas escolhas. Olhe para suas. Você ama a vida dentro dessas escolhas?

 

Talvez parece que nada está andando porque você ainda espera aquele momento mágica, no qual vai passar um caminhão de escolhas na sua frente. E ele até pode passar, mas o problema não está nas escolhas. Passam os dias ou meses e você acaba se iludindo com essas facilidades.

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Diariamente a vida traz uma dose de oportunidades para você carimbar, as suas reais escolhas. Para acertar em cheio naquelas que são de acordo com a sua verdade, rompa com os dilemas internos. Seja os desejos dos nossos mentores, pais, família, amigos ou da sociedade. Não espere uma dificuldade chocante chegar para você colocar em prática a sua verdade. Talvez a dor seja maior, mas acredito que todos têm o seu tempo de despertar. Fique atento a sua vida, história e verdade, tudo que você precisa está bem pertinho de você.

O que a insegurança gera na nossas nas relações?

Em outros textos já conversamos sobre medo, ansiedade, julgamentos e insegurança, esses sentimentos comandam muitas das nossas ações e vão entrando sorrateiramente em algumas áreas da vida. Uma delas são as suas escolhas, e vai se espalhando nas relações amorosas, familiares, profissionais e amizades. Quando você percebe, está espalhada por todos os cantos. E aí, o que fazer?

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Nesses momentos nos sentimos bloqueados, ou seja, impossibilitados de seguir, não acreditamos ser capaz de ir em frente. Tudo parece ser um motivo para desistir, não acreditamos e tão pouco confiamos em nossas decisões. Muitas das vezes passamos a nos isolar ou até evitamos pessoas e relações.

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Você já se sentiu dessa forma? Consegue lembrar como foi? Pense em quais momentos isso aconteceu e por que você desistiu. Lembrou?

Segura esse momento aí e vem comigo. Tem um detalhe simples mais que pode lhe auxiliar; a forma como nos sentimos nas relações começou em algum ponto desse processo e isso veio de dentro de você, não está lá fora. As circunstâncias podem até transportar para o exterior, mas isso está em você. Você já percebeu o quanto sofremos influência do nosso meio nas relações com as pessoas? Nós escolhemos o que entra, fica ou segue dentro da gente. Parece confuso, mas muitas vezes acabamos agindo como uma esponja, pegamos esse externo, o “de fora”, para sustentar algo dentro da gente. Isso pode acontecer de forma consciente ou inconsciente, gerando insegurança e dificultando as nossas relações. O que você deve fazer nesses momentos é identificar onde aparece a insegurança e realmente se perguntar: Por que chegou tão forte assim? Onde surgiu? Como e quando?

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Permita-se ouvir a si mesma, sentir essa tal de insegurança, conversar com ela e enfrenta-la. O tempo todo buscamos fora o sentido dos nossos sentimentos, mas isso está errado, eles existem de dentro para fora. Acredite mais em você, faça auto pesquisa, se permita ao autodesenvolvimento, perceba-se dentro dos erros e acertos, eles constroem constantemente seu processo.  Se permita!

Mãe em construção: o que eu era antes de você chegar?

Desde que engravidei, passei a escrever um texto por mês para relatar essa preparação que envolve a maternidade e os dilemas internos, muitas vezes não comentados. A ideia era compartilhar como seria essa maternidade real. Se passaram os nove meses e a Julia, enfim, chegou! Quem já é mãe, gestante ou está pensando em ter filhos com certeza ouviu diversas falas sobre esse primeiro encontro, como o amor que surge quando o filho nasce, que juntamente com o bebê nasce uma mãe e por aí vai. Bom, esse tal de amor chega sim, mas acredito que cada mulher visualiza ele na sua forma. Há, porém um sentimento que unânime: quando nasce o filho percebermos o sentido da vida.

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A única conclusão que chego é, como já dizia o Carl Rogers, a experiência, hoje, se torna real. Só vivendo esse processo para ter a sensação desse momento, o de receber um ser de luz, gerado dentro de você. Esse ser está nos seus braços e você se questiona se existe algo tão humano e real quanto isso. Uma semana se passou desde o nascimento da Julia e eu me peguei pensando: O que eu era antes de você chegar?

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Apesar de todo o amor que a somos apresentados, venho me questionando sobre esse novo existir.
É Interessante essa sensação de parecer que nos conhecemos há anos, foi bom perceber tudo que vivi antes. Nos apegamos tanto aos valores, crenças, paradigmas e até brigamos para sair deles, estamos o tempo todo querendo buscando provar para nós mesmos e para o mundo, que existimos. Mas quando você vive a experiência de ser pai ou mãe, tudo cessa, acalma, você olha para trás e pensa: Ok, foi bom ter vivido 32 anos para estar onde estou. Não vejo mais minha vida mais sem minha filha. Porque isso a pergunta: O que eu era antes de você? Pergunta que a cada semana que passa vai tornando forma, a sensação é de um livro em branco, que ganhei quando a pequena Julia nasceu.

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A página da vida virou e a melhor parte é que ela está em branco, só vivendo cada dia com seu filho e marido ou esposa irá a compreender essa realidade. Não existe aquela angústia diária de querer mudar tudo o tempo todo, afina, agora o controle de algumas situações está nessa nova relação, literalmente no nós. Você percebe o que é viver com qualidade, a sua motivação é diária e nela você dá 100% de si. As outras áreas da sua vida terão a porcentagem necessária e a sua presença no momento que for preciso. O desafio é a cada dia, olho para a minha vida antes, penso: Como vivi tanto tempo sem você? Estou super a fim de escrever esse livro em branco, errar e acertar quantas vezes forem possíveis, isso me encoraja cada dia conhecê-la ainda mais!

 

Ansiedade: conversa franca!

Ela sufoca de medo, a insegurança nos confunde sem deixar compreender a realidade e até o ar nos falta. Por que sentimos isso? O que tanto nos apavora? Como tornar esse medo de viver a realidade algo lindo e real? Que julgamento é esse que está dentro de mim e me impossibilita de andar para frente? Por que se despedir do velho, daquilo que se era, gera tanta angústia assim?  O que nos faz repensar, recalcular e desapegar?

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Nos deparamos com o sentimento de que o que já foi está no passado e viver no presente não tem sentido. Há o medo de se perder e não se reconhecer ou de não se encontrar dentro de tanta novidade que vem pela frente. Isso é ansiedade? Você a encontrou, bem aí dando toda essa confusão. Mas, e agora, esperar passar ou enfrentá-la? É você que está aqui no presente é em você que deves acreditar hoje, agora, nesse minuto. Até esse momento você estava em uma ilusão criada que não te deixava te ver essa pessoa quem verdadeiramente é. É a tentativa para poder sustentar e esconder essa pessoa mimada, medrosa, ansiosa que apareceu, ou seja, descobriu que existe.

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Dói saber que esses sentimentos sempre estiveram aí, sabendo que você não pôde ver assim tão claramente. Onde esteve durante esse tempo todo, por que você conseguiu enxergar? Talvez porque ainda não estava preparada (o) para encarar.  É preciso olhar bem nos olhos, pegar pelos braços essa ansiedade e talvez até te sacudir e dizer: “Tá bem!!! Estou te vendo, mas o que mais quero é te esconder de mim novamente. Ainda é confuso te aceitar ou até lhe amar. Sinto e percebo que não tem mais espaço dentro de mim.” Como dói parar de bater o pé nessa vida, começar a aceitar essa tal de realidade que vem recheada de ansiedade, medo e angustia. Venho percebendo, aos poucos, que há momentos bons e outros até meio doidos, mas verdadeiros.

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Acredito no amar e deixar fluir essa realidade, esse novo papel sendo construído dia a dia, sem roteiro, mas com muita abertura. Viver é esse constante ir e vir, voltar, reconhecer, acessar, amar e se transformar, estando presente no que me propor. Não há uma ordem única para acontecer, deixemos chegar o novo, sem saber a cor, forma, apenas na única certeza que precisamos: enfrentar a ansiedade e plantar no hoje. Precisamos compreender que o ciclo e as colheitas acabam e recomeçam o tempo todo.  É necessário amar tudo que chega e estar disposta para viver abertamente essa construção de estar presente com o outro.

 

 

Que fantasia é essa criada? Será que a vida boa vem sem esforço?

Em determinados momentos da vida as circunstâncias te colocam em situações que você tem duas opções:  olhar para o que vive como uma linda fantasia ou encarar a circunstância de peito aberto, morrendo de medo, mas acreditando que no fim será bom.

Quantas vezes você se sentiu dessa forma? Qual foi a escolha?

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É preciso compreender e aceitar independente da escolha que você fez, pois ela trouxe resultados e foi a que deu conta no momento. Reflita sobre esse exemplo e utilize como um modelo do qual deseja repetir ou não, avalie com cautela e lembre-se: o julgamento é o primeiro sentimento que irá te assombrar. Aceite o que você está vivendo e sentindo, converse internamente para assim compreender melhor. Parece papo de louco, mas esse é um exercício para refletir sobre você e suas escolhas.

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Há essa fantasia que permeia a vida e o nosso cotidiano, desde de pequenos somos ensinados a isso, talvez alguns mais, outros menos. Nossos mentores apresentam a vida, na maioria das vezes, sob a óptica deles. A ideia aqui, porém, não é achar culpados, mas compreender de onde isso surgiu. Mesmo com esses aprendizados, existe você, que foi quem fez a escolha, é doído pensar assim, mas já escolhemos o que acreditar desde pequenos.  Existe o fator social que estamos imersos, onde a fantasia e a ilusão é a terra mais linda para se viver vivemos nos perguntando: Para que esforço? Essa vida irreal é permeada de consumismo, tentações, propagandas e conteúdo para resultados rápidos e “duradouros”. Essa tal palavra “esforço” vem bem pequenininha no contrato da vida, mas as redes sociais sustentam diariamente essa facilidade de viver através de um “filtro” da foto.

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Chegamos ao ponto que podemos percorrer tudo isso, fazer as escolhas, sejam elas certas ou erradas, que acabamos caindo na dura e verdadeira realidade. Aprecio o filósofo Descartes que diz que “somos corpo, mente e espírito”, cada um tem sua função no movimento da vida. Se passarmos a cuidar somente de uma dessas áreas iremos sobrecarregar e responsabilizar ela para resolução e manutenção de todo o resto. Criamos a nossa ilusão de acreditar que somente uma delas iria resultar nessa idealização criada. Devemos encarar as três como uma forma holística de viver. É preciso olhar com carinho para cada uma e buscar essa harmonia interna, sim, teremos que passar por essa realidade. Quando se descobre esse caminho encontramos a verdade de existir, motivando a cada dia a superação. A vida com belos resultados exige assumir cada parte e colocar a mão na massa, acredito que não é fácil enfrentar suas imperfeições de forma tão aberta no começo, porém é importante ser verdadeiro consigo mesmo.  Se permita existir nessas circunstâncias e experimente estar presente nesses dilemas.

 

Gestação: Construção com prazo de 9 meses para entrega

Engravidar é um desejo que vem impulsionado por uma curiosidade tremenda e muita indecisão. No meu caso, tomei a decisão e isso foi muito real dentro de mim. O fato de viver a experiência da gravidez foi repleta de pesos e medidas. Pesado no sentido dos desafios, de abrir mão de você para construir algo novo, algo que você só imagina como será. Gostaria de deixar claro que cada mulher tem o seu processo na gestação, o intuito aqui é refletir sobre essa fase e os dilemas que algumas de nós podem se identificar agora ou no nascimento do bebê. A curiosidade em desejar viver o que a vida apresenta sempre me motiva.

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Esse dilema de deixar a individualidade de lado e desejar controlar tudo, passou a sofrer mudanças durante o processo gestacional. Eu percebi quando:
– Tive que parar de usar saltos alto por horas;
– Abrir mão de beber drinks com as amigas;
– Me peguei acordando diversas vezes na madrugada para ir ao banheiro;
– A barriga passou a limitar meu caminhar e a mobilidade;
– A barriga passou a crescer e tirar um pouco do meu desejo de poder vestir tudo que gostava, principalmente o jeans e um lindo salto 12;
– As dores nas costas me limitavam para trabalhar durante algumas horas sentada;
– O ficar horas em pé se tornou pesado;
– Passei a ligar para minha mãe e pegar dicas do que fazer e saber como eu era quando pequena;
– Passei a falar com amigas perguntando: “E com você, como foi?”

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Essas seriam algumas das limitações e dúvidas que senti. Percebi que esse ser de luz, já estava me ensinando a ser menos individualista e mais paciente.  Me deparei com a dor de abrir mão de mim para algo que sinto, mas ainda nem conheço o rosto ou o cheiro. Pode parecer egoísmo, mas aceitar essa realidade fará diferença lá no futuro.

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Dentro da gestação tem algo muito sutil que são os nove meses que a compõe. Cada trimestre nos ensina algo novo e em todos eles sobre o ato de esperar, mas para que serve tudo isso?  Esse tempo é perfeito para essa construção, eu busquei viver cada trimestre de forma presente enfrentando a angústia que eles me apresentavam:

– 1° trimestre: é a fase da mistura, oscilações de sentimentos tomados por uma ansiedade. Nos perguntamos constantemente: “Como será? ” Recebi amor de tanta gente sobre a gravidez e me deparei com um medo danado desse bebê não ficar até os três meses. Bateu uma curiosidade de como será quando a barriga crescer, o mexer, terei estrias, o que tenho que comer, menino ou menina, como será o quarto e por aí vai. Eu chamo essa como a fase da montanha russa (choro, sono, falta de sono, ansiedade, amor).
– 2° trimestre: Essa é a fase da plenitude, onde já sabia o sexo do meu bebê. Sonhei com as roupas, a decoração, como seria o chá de bebê, até a barriga começou a crescer e senti os primeiros movimentos. Você está, literalmente, pertinho do céu!
– 3° trimestre: Voltamos a montanha russa, chá de bebe acontece, decoração do quarto, roupinhas, organizar tudo. O prazo apertou, o desconforto chega com tudo, a bexiga se espreme com as 35 semanas.  É preciso organizar a vida com a vinda do bebê que está quase ai. Isso inclui organizar trabalho, bolsa, casa, lavar as roupinhas, marido, cachorros. Sem contar a falta de paciência, amnesia profunda e confusão mental, envolvida por uma curiosidade sem fim de que ela chegue logo e eu possa conhecer o meu anjo.

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No meio desse turbilhão, existe um Deus tão perfeito que te prepara até para as acordadas do bebê antes mesmo de ele chegar. Você se condiciona a acordar de três em três horas para ir ao banheiro. Nesse ponto que percebi que já estava, sim, deixando a individualidade, a autonomia e os controles por algo que me controla e ensina de dentro para fora. O melhor disso tudo? Perceber que esse abrir mão vai se tornando tão normal quanto o fluxo da vida, esse de esperar até o nascimento. A Julinha nasceu, estou preparada para receber esse amor, onde o peso do abrir mão de mim é somente um detalhe para a nossa relação fluir e, com certeza, minhas prioridades mudarão (já mudaram).

Por que fugimos tanto das nossas crises internas?

Vivemos a vida em um curso de oscilações, o equilíbrio existe em alguns momentos com encontros e desencontros. Ás vezes, passamos a perceber o quanto é bom estar presente e aberto para a vida. Dentro dos atendimentos que realizo e até do meu próprio processo autoconhecimento, percebo o quanto fugimos das nossas crises internas, ou seja, do nosso caos. Nós temos medo de ter esse encontro com a nossa parte imperfeita e acabamos fugindo. Pensando nisso, existem três pontos para refletirmos que nos impedem de vermos a nossa crise como um lindo encontro com a nossa parte imperfeita.

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– Idealização: como já falamos, estamos em uma sociedade ditadora de valores e formas de viver, a nossa cultura é muito infantilizada. Há uma busca constante para tirar a nossa responsabilidade e isso impede nosso crescimento.

– Acordar para a crise: nesse momento percebe-se que a idealização não tem nada a ver com você, ou seja, há a possibilidade de um despertamento. Você se deixa ver e coloca-se frente a frente com a sua dificuldade de perceber e aceitar. Com a aceitação vem um processo transformador.

– O Julgamento: esse ocorre quando acordamos dessas idealizações, passamos assim a nos julgar sem nem ao menos perceber. Nos culpamos por termos sido incapazes de perceber, surge um sentimento de vergonha. Acessar essas emoções é um grande passo para despertar. Esse momento exige o desafio; ou você encara essa crise interna, ou você nega e deixa na gaveta das suas histórias mal resolvidas. Muitas vezes essa gaveta já está cheia! Cuidado.

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O importante é você perceber que tem duas opções e escolher de forma consciente, aceitando o que cada uma delas lhe trouxer. Colocar a responsabilidade no outro por essa escolha não é nada confortável. Esteja junto dela e assuma para si a responsabilidade. Caso opte por entrar nessa crise de peito aberto, vá! Converse com esse momento, analise, se questione. Por que essa crise chegou? Por que não quero percebê-la? O que me impossibilita de ver? Por que dói tanto enfrentar?

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Uma dica: escreva as perguntas e responda, quando responder fale do fundo do seu coração, sem julgamento interno, escreva essa verdade para você mesmo. Por mais que doa, posso garantir que isso é um grande diálogo consigo. Refletir sobre o que lhe traz angústia, lhe permite uma nova visão para essas crises. O segredo é sempre exercitar esse contato consigo, entenda que mudança é autoconhecimento, é um constante acessar de crises, aprender com erros, viver essas felicidades e transições, acreditando que esse ciclo não acaba. Logo irão chegar grandes desafios, conforme você for aprendendo.